Artigos

As raízes do coaching psico orgânico

arbre-olivier

Uma árvore cresce geralmente na vertical das suas raízes, com o tronco dirigido para o céu, mesmo que nasça numa montanha com forte inclinação.

Mesmo quando as jovens árvores crescem num chão muito inclinado, o tronco curvado na base, rapidamente se endireita verticalmente.

Podemos dizer que uma árvore em crescimento “percebe de dentro” a orientação vertical. Ela sente o campo de gravidade da terra e responde a esta sensação pelo crescimento adaptado do seu tronco: ele o endireita (como o homem, pela ação dos músculos do seu corpo).

Sabemos, portanto, que cada “essência” de arvore tende a reencontrar sua organização primária quando uma exigência externa a desvia da sua “verticalidade” original.

Como faz o tronco para endireitar-se?

Pela geração de madeira, chamada de madeira de reação, exercendo uma tensão muito forte na parte superior do tronco inclinado, com efeito de “puxar” o tronco para cima. O tronco se dobra como um arco, realizando a curvatura gravitrópica.

E isso não é tudo! Enquanto o tronco começa a endireitar-se, uma segunda curva começa na parte superior do tronco, espalhando-se até a base do tronco, através do desenvolvimento da madeira de tensão, mas desta vez do lado oposto à madeira de reação. Esta segunda curvatura contrária á primeira, tende a endireitar ainda mais o tronco na vertical.

Ao final, a árvore contorce-se lentamente, dobrando-se pela base e dobrando-se do lado oposto na parte superior, tal um praticante de tai-chï procurando encontrar seu equilíbrio!

Estes processos de interação com o ambiente, valido para qualquer arvore ao longo da vida dele, tem por finalidade conservar certa « verticalidade » vital para o desenvolvimento vigoroso e harmônioso de todo seu potencial.

A partir desta realidade no mundo da “essência” das árvores, eu gostaria de propor algumas analogias com o nosso mundo, o mundo da “essência” dos seres humanos.

Em primeiro lugar, parece-me essencial lembrar que, assim como a semente do carvalho contém em si o potencial do carvalho, o feto humano, através do seu DNA, é portador de todo o potencial neurofisiológico necessário para a vinda do homem adulto, mais tarde.

Pode ser interessante também colocar a questão da natureza da alma humana, que de acordo com diversas filosofias como a do Raja Yoga, seria a energia de luz dando vida ao corpo, carregando nela muitas qualidades e poderes espirituais, entre eles a paz, o amor, a pureza, a verdade…

À medida que o ser humano cresce, o seu tronco é fortalecido, seus sentidos desenvolvem-se em conformidade com sua natureza intrínseca, com certa “visão” de Homem “perfeito”.

E o ser humano também cresce num determinado entorno afetivo, familiar, escolar e sócio cultural que podemos associar ao chão horizontal ou inclinado, ao terreno árido ou nutritivo, ao vento, ao calor, ao frio que estão presentes na vida das árvores.

Assim como acontece com a árvore, a criança e o adolescente desenvolvem reações que podem ser de submissão absoluta ou relativa e de resistência e mecanismos de defesa visando trazer o corpo e a mente na direção da verticalidade “original”.

Na psicanálise, falamos das 3 instancias da Psique (Id, Superego, Ego) segundo Freud, para explicar essas reações às pulsões naturais e às normas, valores e regras ditadas pelo ambiente afetivo, familiar, escolar e sócio cultural.

Mais tarde, o homem adulto se depara com diversas tensões na vida profissional, na vida social, na vida familiar e até nas relações amorosas. A ambição, os desejos, a inveja, assim como, as pressões externas e as frustrações exercem também impactos nas capacidades do homem adulto de manter “sua” verticalidade (relação com o Eu), mas também de estabelecer uma horizontalidade harmoniosa (relação com o Outro).

Em análise transacional, falamos das Posições da vida, dos Estados do Ego e dos Estilos educacionais (Drivers). Em analise psico- orgânica, falamos das 3 formas (unária, dual e ternária) para ilustrar essas tensões e as passagens associadas.

Ao longo deste processo de desenvolvimento, uma parte visível do homem toma forma e ocupa o seu lugar neste mundo, com certo sucesso, dependendo da ideia que cada um tem da felicidade profissional, familiar e social. O tamanho da árvore, a espessura da ramificação, a quantidade e qualidade das frutas, parecem testemunhar do sucesso do crescimento.

Ao mesmo tempo, uma parte menos visível do homem o enraíza profundamente na sua história, na terra que trouxe para ele a água e os elementos nutritivos que foram úteis para o seu desenvolvimento. Esta história construída na base de valores, crenças, percepções limitadas do mundo e de si mesmo, elaborada na base de experiências felizes ou infelizes, acumuladas ao longo dos anos, está agindo com a força da sua profundeza e amplitude sobre a consciência que o homem tem dele mesmo, de suas potencialidades, dos seus limites e até da sua verdadeira identidade. Sem raízes, não há árvore que seja forte, porém a árvore é mais do que as suas raízes.

Na psicanálise, ao contrário da ideia comum, a análise das raízes, da história pessoal não é uma finalidade em si. Conscientizar a sua história, numa idade mais avançada, é apenas útil para assumir a responsabilidade em alma e consciência das decisões que podem ser tomadas agora, visando confirmar ou reorientar escolhas de vida para o presente e o futuro.

E o que tudo isso tem a ver com o coaching psico-orgânico?

A metáfora da arvore fala bem da interação com o entorno, o meio ambiente que dá uma forma única e muito preciosa à vida… Mas ao contrário da arvore, o ser humano tem a possibilidade de mudar a forma como ele está vivendo… Portanto, ele pode criar novas expressões de vida!

O coach psico-orgânico visa restaurar a autoestima, a questão de identidade e todas as potencialidades de expressão e interação do seu cliente, através da percepção que este cliente tem dele mesmo, da história dele e do mundo com o qual ele está se relacionando.

O coach psico-orgânico pode também contribuir para fortalecer a vitalidade orgânica, energética e espiritual do seu cliente, desde que haja solicitação do cliente para iniciar este processo de profundeza anímica.

Em princípio, em qualquer processo de coaching, há uma pessoa, o cliente, e o desejo deste cliente de alcançar um objetivo. E também há um coach profissional que aceita interagir, como ator, numa relação de trabalho, visando facilitar o alcance do objetivo pelo cliente.

A prática do coaching psico-orgânico se enraíza, antes de tudo, na implementação das 11 competências chaves promovidas pela Federação Internacional do Coach (Internacional Coach Federation – ICF) nos Estados Unidos e em vários países do Mundo.

Essas competências chaves do coach ICF tem por finalidade facilitar:
– a expressão clara e eficaz do cliente em relação ao objetivo que ele quer alcançar;
– a conscientização da situação vivenciada e dos obstáculos que ele precisa superar;
– a capacidade criativa dele para encontrar novas soluções e programá-las;
– a avaliação dos resultados concretos, das aprendizagens e de quanto ele conseguiu evoluir ao longo do processo de coaching;
Isso tudo num contexto relacional de confiança e proximidade inerentes ao coaching.

A prática do coach psico-orgânico se enraíza, também, em conhecimentos específicos dos processos de mudança, oriundos da analise psico-orgânica, da analise transacional, da analise sistêmica, da analise morfo gestual e da psicanálise. Evidentemente são muitas raízes! Também é por isso que a formação de coach psico-orgânico leva 16 meses dentro dos quais um estágio com supervisão de prática de 8 meses para a aprendizagem e o aprofundamento de apenas alguns conhecimentos e ferramentas destes processos bastante complexos.

Através da implementação destas práticas e das ferramentas oriundas das ciências humanas, complementárias às 11 competências chaves do coach ICF, o coach psico-orgânico, facilita a emergência, junto para com o seu cliente, de uma consciência mais ampla e profunda da sua identidade, das suas necessidades essenciais, dos seus modos de pensar, das suas potencialidades mentais e energéticas, dos seus processos de decisão e sabotagem, das suas capacidades de expressão, de ação e interação, enfim das suas capacidades em obter maior satisfação, felicidade e paz.

Para o coach psico-orgânico, os recursos suscetíveis de favorecer a mudança e a evolução de qualquer ser humano, passam pela conscientização dos processos psíquicos (pensamentos, percepções, crenças…) e do impacto orgânico deles (sensações, sentimentos, emoções…) nas capacidades de movimento individual e coletivo.

Olivier Joannès
Professsional Certified Coach / ICF
Fundador do Institut ANDARALUZ® de formação de coaches psico-orgânicos
www.andaraluz.com.br